Fica marcado mais do
que nunca, o papel que este ícone teve no desenvolvimento da música tradicional
moçambicana, pelas obras e atitudes nobres ao longo da sua carreira.
Mafende nasceu no
povoado de Cutinhingule, distrito de Namacurra, província da Zambézia, aos 04
de Novembro de 1923. Nasceu sem problemas de visão, mais tarde aos 15 anos de
idade, começou a sofrer cegueira, devido a uma doença que havia-lhe afectado os
olhos, causando-lhe feridas, tendo
levado muito tempo o seu tratamento no hospital e não teve a cura.
Aprendeu a tocar o ''Ciribó'' e a cantar a música tradicional
a partir do seu cunhado – esposo da sua irmã, o Sr. Ricardo Segurar, depois de
tornar cego. O pai incentivou-o que continuasse na música, por achar que estava
incapacitado de fazer algo diferente naquela altura. Assim, aprimorou os toques
do ''Ciribó'', um instrumento típico tradicional, transformando-se num artista
popular da música tradicional zambeziana em particular, e de Moçambique em
geral. É a única actividade que exerceu até hoje que tomei conhecimento do desaparecimento físico.
Participou em várias
edições do Festival de Música Tradicional, Festival de Canto e Dança e Festival
Nacional de Cultura (Modelo actual), por vezes como delegado, noutras como
convidado de honra.
Foi o primeiro artista
moçambicano na Zambézia condecorado com a ''Medalha de Mérito Artes e
Cultura'', medalha que ele imponha em todos eventos oficiais.
Fez parte de uma
colectânea de música tradicional editado pela Rádio Moçambique ''Kewa
Zambézia''; participou ainda na gravação
de músicas para vários projectos sobre HIV/SIDA e participou em vários
workshop’s sobre música tradicional a nível provincial e nacional.
MAFENDE era um
improvisador, trocista e contador de histórias do seu povo, tudo que passava
por ele virava música. Nas suas canções desfilavam nomes como o Presidente
Samora Machel, entre outros que cruzaram o seu caminho durante a vida. A sua música ´’Aliba Waba´´, que em Português
significa ´´Os Fofoqueiros´´, abri o seu primeiro CD dos Originais, num simples
apelo ao povo, que não ouçam os fofoqueiros porque a fofoca sempre está ao
serviço da inveja. Quanto mais invejosa for a pessoa, mais fofoqueira ela
é.
Foi-se o ´´Mwana
Mphawy´´ - Orfão, ´´Yangana Yangana´´,
´´Ouvir dizer´´, ´´Nissassanhe´´ - ‘’Façamos’’.
Foi-se o nosso decano MAFENDE MANDIO MENTIROSO e ficaram as obras. Até sempre
MESTRE! /// Por: A. Sobrinho


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