O que sobrou de mim
Lá estava eu
Rodeado de velas vivas
Esbranquiçadas pela eterna paz que me consolava
Eram velas erodidas pelas chamas de tristeza
Que por sua vez choravam ao ritmo da agonia do seu
acabar
Nem pude me mexer
Nem com a picada do nós que tu, não soubeste manter;
Era apenas eu lutando contra mim
Enfrentando começos como esses que causam fins,
enfim
Acabei assim;
Mesmo intacto criei pactos com lembranças dos meus
atos dai chorei;
Lágrimas que dificilmente drenavam a dor;
Eram secas forçadas pelas tentações;
Que embriagavam vontades emotivas
Expressas em cancões
Que por dentro roíam-me a alma envenenada.
Dai cansavam-se de morrer comigo.
Quem afinal?
Aqueles temporários sentimentos esmorecidos em
corpos vivos?
Ou aqueles corpos rejuvenescidos e imortalizados em
sentimentos eternos?
Estes sim choravam choros de verdade;
Me toca para sentir se sinto algo;
Fala besteiras para ver se reajo;
Só não chega perto com esse jeito promissório.
Não queira tu matar-me no meu próprio velório;
Ou ressuscitar-me para fazer-me de Otario;
Até que me tinhas dito pai;
Que as terras lamacentas por onde caminhei;
As guerras violentas que sempre enfrentei;
Seriam apenas cicatrizes arrependidas;
Eu vi os meus sentimentos em vontades proibidas
Resvaladas nestas terras escorregadias.
Que tenebrosamente debulhavam manias
Dai sente-me mais perto da vida que da morte
Posso ate perder a vida mas, não quero morrer
Apenas quero viver sem esta maldita vida que me
ensina a morrer
Estás feliz?
Por me teres pisado e culpado pelo que nunca fiz?
Me diz estás feliz?
Por me fazer sentir um aprendiz
Eu tenho uma força motriz
Que mesmo sem vida a cada dia será uma lição
aprendida
Eu também quero ser feliz
Pois eu também quero ser feliz
O que sobrou de mim
#AssaneRamadane


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