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O Que Sobrou de Mim (Letra) - Poema de Assane Ramadane 2021


 

O que sobrou de mim

 

Lá estava eu

Rodeado de velas vivas

Esbranquiçadas pela eterna paz que me consolava

Eram velas erodidas pelas chamas de tristeza

Que por sua vez choravam ao ritmo da agonia do seu acabar

Nem pude me mexer

Nem com a picada do nós que tu, não soubeste manter;

 

Era apenas eu lutando contra mim

Enfrentando começos como esses que causam fins, enfim

Acabei assim;

 

Mesmo intacto criei pactos com lembranças dos meus atos dai chorei;

Lágrimas que dificilmente drenavam a dor;

Eram secas forçadas pelas tentações;

Que embriagavam vontades emotivas

Expressas em cancões

Que por dentro roíam-me a alma envenenada.

Dai cansavam-se de morrer comigo.

 

Quem afinal?

Aqueles temporários sentimentos esmorecidos em corpos vivos?

Ou aqueles corpos rejuvenescidos e imortalizados em sentimentos eternos?

Estes sim choravam choros de verdade;

 

Me toca para sentir se sinto algo;

Fala besteiras para ver se reajo;

Só não chega perto com esse jeito promissório.

Não queira tu matar-me no meu próprio velório;

Ou ressuscitar-me para fazer-me de Otario;

 

Até que me tinhas dito pai;

Que as terras lamacentas por onde caminhei;

As guerras violentas que sempre enfrentei;

Seriam apenas cicatrizes arrependidas;

Eu vi os meus sentimentos em vontades proibidas

Resvaladas nestas terras escorregadias.

Que tenebrosamente debulhavam manias

 

Dai sente-me mais perto da vida que da morte

Posso ate perder a vida mas, não quero morrer

Apenas quero viver sem esta maldita vida que me ensina a morrer

 

Estás feliz?

Por me teres pisado e culpado pelo que nunca fiz?

Me diz estás feliz?

Por me fazer sentir um aprendiz

Eu tenho uma força motriz

Que mesmo sem vida a cada dia será uma lição aprendida

Eu também quero ser feliz

Pois eu também quero ser feliz

 

O que sobrou de mim

#AssaneRamadane​



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